6 de out de 2013

A Última Herdeira: XVII


   Após tomar água, ela foi até a sala e sentou-se no sofá. Como ela ia adiantar o plano, ela não sabia. Pois, além do fato de que o plano não estava pronto, eles estavam se programando para colocá-lo em prática dali a uma semana. Mas Olavo não tinha nem algumas horas, muito menos uma semana. Manuela tentou lembrar de Olavo.
   Ela imaginava que ele era bem animado, pois sempre que olhava para o garoto, ele estava rindo e fazendo piada. Na verdade, ela sempre o considerou babaca. Ele fazia muito sucesso com as meninas. Era alto, magro com músculo definidos, tinha o cabelo liso e loiro escuro, que estava sempre espetado, a pele bronzeada, e ele tinha um sorriso torto. Ele era bonito de um jeito diferente. 
   Mas ela nunca chegou a conversar com ele. O dia que mais trocaram palavras foi quando se cumprimentaram no dia em que ela chegou na clínica. A menina já tinha flagrado ele olhando em sua direção durante algumas refeições, e isso a intrigava. Mas ela nunca perdeu mais de dois minutos pensando nele, tantas coisas importantes para pensar...
   Mesmo que não simpatizava com ele, precisava ajudá-lo, afinal, o vampiro estava do lado do bem. Do lado deles. Ele estava se arriscando para fazer o certo. Imediatamente ela foi no quarto dos meninos para acordá-los. Abriu a porta com força e sacudiu primeiro o Augusto e depois o Lucas.
   -Vocês precisam acordar agora! Tive um sonho, e já perdemos muito tempo! Vamos colocar o nosso plano em ação agora, mesmo ele não estando pronto. O Olavo, vampiro, está em perigo, e precisamos ajudá-lo. Levantem e se arrumem rápido, no caminho eu conto tudo!- Ela deixou o quarto após gritar com eles. Pegou tudo de que precisava para executar o plano, se vestiu, comeu um pão, escreveu um bilhete para seu pai e deixou em cima da mesa da cozinha. 
   "Pai, durante essa noite tive um sonho, e sei que foi real. Temos um colega que está em perigo, por isso, nós já estamos de saída, e nosso plano vai acontecer, estando pronto ou não. Não se preocupe, temo quase tudo sob controle. Fique bem. Beijo."
   Quando os três estavam prontos, Manuela foi até o quarto de seu pai e deu um beijo na testa dele. Ela não queria demonstrar, mas estava com muito medo de não voltar a vê-lo. Não sabia o que ia acontecer na batalha que já havia começado, mas estava torcendo para tudo correr bem. E apesar de ter escrito no bilhete que tinha quase tudo sob controle, ela sabia que não tinha nada sob controle.
   Eles pegaram o carro do Augusto. Ele dirigiu muito rápido. Passou em sinais vermelhos, ultrapassou onde não podia, e chegou a dois quarteirões da clínica em trinta minutos. Ele estacionou o carro em uma vaga na rua. Os três andaram até a clínica, e quando chegaram em frente ao local, podiam ver fumaça saindo de dentro, e ouviam muita gritaria e sons de armas.
    Augusto foi o primeiro a entrar pelo pequeno portão dos fundos, em seguida Lucas e Manuela entraram. O pátio que antes tinha uma grama uniformemente aparada e belas flores, agora abrigava o caos. As mesas da praça de alimentação estavam em chamas em um canto do pátio, as janelas dos andares mais baixos estavam quebradas e haviam seringas caídas no chão. Cada um foi para onde combinaram ir. E o plano deles estava em prática...
   
   
   

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