16 de jul de 2013

Algo de Insano: VIII - O resultado

   No dia seguinte a Camila, a mãe dela e eu fomos fazer os exames. Ficamos a manhã inteira no hospital, e Camila não parou de reclamar, ela estava muito chata. Mas se eu soubesse o que estava acontecendo, não teria me irritado, teria apoiado, teria chorado...
   Saímos do hospital e fomos almoçar em um restaurante próximo dali, e Camila ainda estava reclamando, mas Sílvia, a mãe de Camila, perdeu a paciência que manteve durante a manhã. As duas começaram a discutir.
   -Camila, chega de reclamar, você não foi a única que teve de desmarcar compromissos importantes. Eu trabalho, lembra?! E a Laura também estuda, então chega, porque você não perdeu nada sozinha!
   -É, mas nenhuma de nós três teríamos perdido nada, se você não tivesse essa sua neura de que tudo é grave, de que tudo pode ser uma doença séria!
   -Me desculpe por me preocupar com você, que é minha filha, e do nada desmaia e diz sentir dor na cabeça! Camila, acorda minha filha. Isso pode ser grave sim, precisamos fazer exames para saber o que é, e se é ou não grave!
   -Mãe, só porque alguém que você amava morreu sem saber o que era a doença, não quer dizer que eu também vou morrer!
   -Como você disse, eu já perdi alguém muito especial, sem saber a causa, e eu me recuso a passar por isso novamente!
   Depois disso as duas se calaram.
   Três dias depois, o resultado dos exame ficou pronto, e foi direto para o consultório do médico que estava acompanhando Camila. Sílvia e Camila foram ao consultório, mas eu não pude acompanhá-las. A noite, estava estudando e de repente minha mãe entrou no meu quarto dizendo que a camila estava no telefone.
   -Oi Camila, como foi lá, o que o resultado mostrou? É grave ou não? Fala logo!
   -Quando você parar de falar eu começo. Bom... ou melhor, ruim, o resultado é muito ruim, na verdade é péssimo... -Ela começou chorar.
   -O que deu?
   -Então, se eu soubesse o que eu tinha, não teria sido tão injusta com a minha mãe. O resultado apontou que estou com uma doença grave. Até hoje só dez pessoas tiveram essa doença. E nenhuma delas está viva.
   -Que doença que é?
   -Os médicos não sabem o que é...
   -Então como sabem que dez pessoas tiveram?
   -Os resultados dos exames delas são muito parecidos com o meu, e os sintomas também são os mesmos.
   -Mas quando ocorreu o primeiro caso?
   -Laura, eu não sei, acho que há uns quinze anos, ou menos, não sei. Só sei que... que eu tenho mais dois meses de vida.
   -O que? Como assim? Você não pode viver só por dois meses! Você... você é minha melhor amiga, minha irmã, minha companheira, não pode simplesmente morrer!
   -Você acha que quero morrer? Acha que estou feliz? Como acha que estou me sentindo, sabendo que não vou conseguir realizar os meus sonhos? Me casar, ter filhos, nem terminar a universidade vou conseguir. Se coloca no meu lugar!
   -Eu não disse que você está feliz, nem que você quer morrer, eu sei de tudo isso. Mas por que só dois meses, o que é essa doença?
   -Você ouviu eu dizer que os médicos não sabem? Então! Só dois meses porque é no cérebro, e é uma doença que o cérebro vai parando. Agora são desmaios e dores de cabeça, se for como nas outras pessoas, em breve não estarei andando, irei perder a memória, não vou mais falar, e tudo vai parando...
   -Mas é um vírus, bactéria, o que?
   -Eles não sabem, é algo diferente "novo".
   -Então, se você tem apenas mais dois meses de vida, é hora de realizar seus sonhos. E eu, vou ajudar você com isso. Você é minha irmã, e mesmo depois de dois meses, você sempre será minha melhor amiga, minha irmã, e agora eu só quero ver você feliz!
   -Eu preciso desligar, minha mãe está muito triste. Beijo.
   Eu chorei a noite toda, chorei muito, e não consegui dormir por nem um minuto. Eu não sabia o que fazer, eu pensava que a minha amiga só estaria comigo por apenas dois meses, mas na verdade, ela está comigo até hoje, não como antigamente, mas ela está comigo.

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