5 de set de 2013

A Última Herdeira: VI


   -Oi, é... por que eu preciso de um psicólogo?
   -Para conversar com você é claro! Não deve ser fácil descobrir da noite para o dia que você é uma bruxa, é adotada, e é a última mulher da sua família legítima!
   -Não é. É estranho, é como se eu não soubesse de mais nada. Não sei o que vou fazer, não sei nem quem sou. E queria muito poder saber mais sobre minha mãe, a Luana. Acho que esse era o nome...
   -Sim, Luana era o nome da sua mãe. Ela era uma mulher muito boa, honesta, justa, e lhe amava muito. Lembre-se sempre disso!
   -Eu imagino, ela me protegeu, e tenho certeza que me amou até o último minuto de vida.
   -Eu também tenho certeza disso. Mas agora ainda não está na hora da sua "conversa" diária comigo, só vim aqui para me apresentar. Estou indo, tenho que conversar com um amigo lobisomem do quinto andar. Coitado, já está aqui há um ano... então até mais. Descanse.
   Augusto saiu do quarto e deixou Manuela sozinha. Ela pôde observar que o cômodo era menor que seu quarto na casa de seus pais. As paredes eram brancas, a cama era branca, o lençol era branco, o cobertor era branco. Havia uma grande janela de vidro de frente para a porta de entrada. E encostada na janela, tinha uma escrivaninha e uma cadeira branca.
   Manuela gostava de tudo colorido, tanto que em seu quarto havia muitos objetos coloridos. Toda a brancura desse quarto estava deixando-a irritada e impaciente. Só naquele momento ela percebeu que estava sozinha. Não veria seus pais, seu irmão, seus amigos. Ninguém. Ela era uma bruxa, e ao mesmo tempo que queria não ser bruxa, queria fazer tudo o que podia com seus poderes.
   -Então você já conheceu nosso amado Augusto. Todas as meninas e mulheres desse lugar o amam. Até parece que ele tem mel. Enfim, você gostou dele, também ficou encantada com a beleza dele?
   -Eu gostei dele, acho que ele deve ser bem legal. Foi bem gentil e simpático comigo.
   -E quanto ao físico dele, hein?
   -Achei ele muito bonito. Mas tenho a impressão de que já o conheço. Não sei de onde, mas ele me é familiar.
   -Pode ser. Agora descanse, sei que nossa viagem nem foi tão cansativa, mas como temos pouco tempo, amanhã suas atividades já irão começar. Aqui está a sua agenda, todos os seus horários estão escritos aqui. Se quiser ler, fique a vontade. Hoje irá jantar no quarto. O banheiro é naquela porta. E durma cedo. Boa noite querida!-Thomas saiu do quarto.
   Antes de tomar banho ou fazer qualquer outra coisa, ela foi ver sua rotina do próximo mês. Ela iria acordar as seis e meia da manhã, e teria aulas sobre poções, feitiços, história de sua família até meio-dia. Depois ia almoçar, e das treze horas até as dezoito horas ia malhar na academia da clínica e praticar feitiços mais fáceis. Depois das dezoito horas, ela poderia fazer o quisesse.

   Um alarme muito alto tocou no seu quarto. A menina acordou assustada, e visualizou uma caixa de som no teto próxima à janela. O som do alarme saia de uma caixinha branca e pequena. Levantou-se rapidamente e colocou um macacão cinza que estava em uma pequena cômoda branca. De acordou com um aviso colado na cômoda, ela só poderia usar aqueles macacões cinzas.
   Entrou no elevador e apertou no botão "PA" - praça de alimentação. Quando chegou no lugar, viu que era tão depressivo quanto seu quarto. Era uma salão grande com mesas e bancos grandes e brancos. As paredes, portas e janelas era brancas. As pessoas que estavam sentadas nos bancos comendo usavam macacões cinzas idênticos ao que ela usava.
   Ela não sabia em qual mesa ia sentar-se. Até que viu um garoto bem moreno com o cabelo raspado, sentado em uma mesa sozinho. Ele estava lendo um livro com muitas páginas, que Manuela imaginou ser o livro "Senhor dos Anéis". Achara a mesa que ia sentar-se.
   -Bom dia, eu posso sentar aqui com você?
   O menino tirou os olhos do livro, e olhou nos olhos de Manuela. Ela pode então ver os lindos olhos verdes do menino. Ele era muito bonito, mais bonito que Augusto. Tinha um queixo quadrado e sua mandíbula era larga,e tinha barba. Era o menino mais bonito que Manuela já vira.
   -Oi, pode, mas acho que não vai querer.
   -Por que não?
   -Porque minha namorada é um pouquinho chata. Na verdade, ela é muito chata, e por isso todo mundo evita sentar nessa mesa, que já é a mesa "dela".
   -Ah, não me importo, eu sou nova aqui, não conheço ninguém mesmo! Mas cadê a sua namorada?
   -Ela não está muito bem. Está com muita dor de cabeça, tonturas, náuseas, e não consegue lembrar quem eu sou.
   -Sinto muito. Está lendo "Senhor dos Anéis"?
   -Estou sim! Você já leu?
   -Já, ano passado. Adorei! Você está gostando?
   -Muito! Sabe eu acho que... espera! O meu é Lucas. E o seu é?
   -Manuela. Mas pode me chamar de Manu se quiser. Eu vou pegar a comida, já volto!
   Após pegar a comida, a menina voltou para a mesa de Lucas, e os dois ficaram conversando sobre livros até o alarme tocar. Assim que ouviu o barulho, ela foi para o segundo andar, onde ficava a sua sala de aula.
   Até o meio-dia, tudo o que ela aprendeu foi inútil. Sobre sua família, só ensinaram o que ela já sabia, e em feitiços e poções, foi dado apenas uma introdução do que ela ia aprender. Depois foi à praça de alimentação almoçar. Ela estava torcendo para o lucas estar sentado em uma mesa sozinho. E para sua sorte, ele estava.
   - Oi, posso sentar aqui de novo?
   -Olha, você não precisa pedir, essa mesa não é minha. E eu acho que enquanto a Vi não estiver bem, vou precisar de companhia.
   -Ela ainda está mal?
   -Na verdade eu não sei. Não pude ir visitá-la, ela está na enfermaria. Então...
   -Estou torcendo para ela melhorar. Mas sabe, eu não sei de que espécie sobrenatural você é.
   -Na verdade eu ainda não sei o que sou. Estou nesse hospício faz dois anos, e ainda não descobriram o que eu sou. E você?
   -Eu sou uma bruxa, a última bruxa vivente no mundo. Mas eu não intendi, se não sabem o que você é, por que está aqui?
   -Meus pais e eu sofremos um acidente de carro na véspera de me recrutarem pra cá. Eles dois morreram, e eu fiquei preso nas ferragens, mas depois de dois minutos consegui me soltar. Eu estava todo quebrado. Perdi um dos meus braços. Mas o meu braço começou crescer, meus cortes cicatrizarem e meus osso voltarem ao normal.
   -Então você é parente do Wolverine?
   -Boa! Mas infelizmente não. Acho que ele não existe. Mas vai pegar a sua comida logo!
   Ela pegou a comida o mais rápido que pode para poder voltar conversar com Lucas. Depois que terminou de comer, foi fazer as atividades que estavam programadas. As dezoito horas ela estava livre para fazer o que quisesse. E o que ela mais queria era tomar um banho quente e ler um pouco. Mas quando terminou seu banho, alguém estava tocando a campainha de seu quarto.
   -Oi Manu, desculpa vir sem avisar, mas o seu horário com o psicólogo, que sou eu, é as dezoito e meia. Então entre e pode deitar em sua cama.
   -Está bem, vamos começar!
   -Antes de mais nada, preciso lhe contar uma coisa sobre o Lucas. Percebi que almoçaram juntos, e vocês conversaram e riram bastante.
   -Sim, ele é bem legal!
   -Pois bem, ele é um menino muito triste. Perdeu os pais com apenas quinze anos, e agora tem a namorada, Vitória. Ela é uma elfa, acredite se quiser, e está passando por um momento complicado. As pessoas daqui não sabem o que o Lucas é, mas a Vitória descobriu. Ele foi contaminado com DNA criado em laboratório, ou seja, não nasceu diferente, se tornou diferente. E eu não posso falar isso para ninguém aqui dentro. Se alguém além de nós souber, ele estará morto.

 






   

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