20 de set de 2013

A Última Herdeira: XII


   Ela não tinha tempo para refletir sobre o que o amigo disse. Então pegou pedaços de cacos de vidro que estavam sobre as bancadas e começou a jogar contra os cinco homens. Eles avançavam cautelosamente, mas ela sabia que quando chegasse na parede, estaria encurralada. Continuou jogando os cacos por mais dois minutos, até que o mais robusto dos homens correu na direção da garota e agarrou-a.
   Ele jogou-a na maca e prendeu-a novamente. Depois disso ele e os outros começaram a procurar papéis no chão e nas bancadas. Pareciam desesperados. De repente, a vista de Manuela ficou toda embaçada e então, ela não via mais que um borrão escuro. Sua cabeça começou a doer, e ela não sabia o que estava acontecendo. Em seguida o borrão escuro transformou-se em uma imagem conhecida. Hexe.
   - Manuela, você precisa usar os seus poderes, ou eles irão lhe matar!
   -Hexe, é a minha morte que está próxima?- Pensou a garota.
   - Tudo depende de você. Se conseguir escapar daqui, pode ter certeza de que não desistirão tão fácil.
   Logo após, sua vista voltou ao normal. O rosto de Hexe sumira, sua dor de cabeça passara e sua vista não estava embaçada. Manuela sabia o que tinha de fazer. Imaginou as correntes soltando-se, e em seguida, não sentiu nada apertando seu corpo. Quando saiu do transe que sempre entrava quando fazia um feitiço, observou que os cientistas não haviam notado que ela estava solta.
   Aproveitou a distração deles para usar seu poder. Ela visualizou a arma que Patrícia usou contra ela e os meninos. Imaginou a arma voando até sua mão, e assim aconteceu. Mas quando a garota pôs as mãos no objeto, os pesquisadores perceberam seu ato e atacaram-na. A menina disparou uma seringa em um deles, e viu que nada acontecera, pois as seringas só funcionavam em pessoas especiais.
   Ela jogou a arma na cabeça do que estava mais perto dela, e ele desmaiou. A arma era muito pesada. Sobraram quatro homens. Finalmente ela teve a ideia de jogar as outras duas macas em cima deles. Imaginou uma maca caindo sobre dois deles e a outra sobre os outros dois. E assim foi feito. Quando se viu livre, ela correu pelo corredor com a esperança de ainda poder alcançar Augusto e Lucas, mesmo sabendo que era inútil. Permitiu-se parar um pouco para descansar. Ela estava exausta por ter usado seus poderes com remédios em seu corpo.
   Sem saber o que fazer, correu ao seu quarto para pegar as suas coisas e sair daquele lugar. A porta estava aberta, e ela pôde observar o cômodo no qual queria nunca mais estar. Mas quando ela olhou na porta do banheiro viu uma névoa branca. E reconheceu os cabelos ruivos na hora em que os avistou.
   -Parabéns por ter saído do laboratório! Eu não consegui sair, e agora veja o meu estado. Sei que deve estar assustada, mas precisava lhe dizer uma coisa. Você sabe que as seringas da arma que Patrícia usou funcionam apenas em criaturas mágicas. Notou que o Augusto desmaiou com os remédios?
   -Nossa, nem tinha percebido. Mas se ele desmaiou...
   -Ele é um bruxo. O primeiro bruxo já nascido no mundo. 


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