22 de set de 2013

A Última Herdeira: XIII


   -Mas como isso é possível? Pensei que os poderes de Hexe só eram transmitidos para descendentes mulheres.
   -E você estava certa, só mulheres tem os poderes dela. Mas eu percebi desde o momento em que o toquei, que ele era um bruxo, um bruxo muito forte. Na mesma hora em que descobri eu quis contar, mas a minha visão ficou embaçada e apareceu uma mancha preta que tomou a forma do rosto de Hexe. Ela disse que ele não pode saber dos poderes que possui. E que uma hora alguém ia aparecer, e esse alguém deveria saber.
   -Mas se ele soubesse desde o começo, ele podia ter destruído esse lugar, evitando que muitas pessoas viessem pra cá!
   -Exatamente. Inclusive você. Você possui o maior poder de todos os tempos, maior que o de Augusto, e você é a ultima herdeira, possui o colar de Hexe. Você foi a escolhida para salvar a todos. E se ele tivesse destruído tudo, você não viria para cá. Não encontraria seu irmão, e não poderia cumprir a sua missão, que vai muito além de destruir essa clínica.
   -Está me dizendo que vou ter de fazer algo maior do que simplesmente destruir a clínica e salvar as pessoas daqui?
   -Manuela, isso aqui é a menor parcela de tudo o que vai ter que fazer. E a missão do Augusto vai ser uma missão tão difícil quanto a sua, ou até mais difícil. Mas ele só poderá saber da natureza dele depois que conseguirem destruir esse lugar. Agora eu tenho que ir embora, e você também! Aconteça o que acontecer, siga o pássaro azul.- Quando Vitória terminou de falar, sua imagem começou a dissolver-se, e logo, não havia ninguém além da bruxa no quarto.
   Manuela não estava entendendo mais nada. Seu irmão, Augusto, era o único bruxo no mundo, e ela era a escolhida para salvar tudo. Ela queria dormir para depois acordar e perceber que tudo não passou de um sonho ruim. Só desejava que ele tivesse descoberto que era um bruxo antes dela ser descoberta. Queria ter sua antiga vida novamente.
   De repente, um pássaro azul entrou em seu quarto pela janela, e a menina esqueceu tudo o que estava pensando e concentrou-se no pássaro. Segundo Vitória, ela devia seguir-lo. Ele voou graciosamente em volta dela. Depois pousou em cima da mochila da garota.
   Ela percebeu que devia apressar-se. Pegou todas as sua coisa rapidamente, jogou tudo dentro da bolsa e colocou-a nas costas. Ela estava pronta para partir. O pássaro voou até a porta de entrada, e ela entendeu que deveria abrir a porta. 
   Assim que abriu, ele saiu voando pelo corredor e parou em uma porta branca como as outras, porém sem uma placa com algum nome. A menina abriu a porta e desceu as escadas atrás do animal. Quando chegou no térreo, andou por um longo corredor escuro, até chegar em um portão estreito e alto. O pássaro voou por cima, mas ela não sabia o que fazer. 
   Ela imaginou o portão aberto, e em seguida ele estava aberto. Quando saiu da clínica sentiu um vento gostoso, um vento que representava sua liberdade. Continuou seguindo o pássaro a pé por ruas que ela nunca havia passado. Por volta das oito horas da noite, o pássaro parou em frente a uma casa antiga, simples, sem pintura e com um portão preto. 
   Aos poucos, o pássaro foi se desintegrando, até não existir mais. Ela bateu palmas até que um senhor veio ao portão. Era um homem alto, robusto, grisalho e barbudo. Tinha uma aparência triste e judiada, e seus olhos escuros estavam cheio de lágrimas.
   -Minha filha...

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